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sábado, 19 de outubro de 2013

Camille Claudel, 1915



Dirigido pelo cineasta francês Bruno Dumont que também dirigiu a obra minimalista O Pecado de Hadewjich, não se trata de um remake do filme de 1988 estrelado por Isabelle Adjani como muitos pensaram quando saiu boatos de quem uma nova obra sobre a famosa escultora francesa seria rodada.
Em Camille Claudel,1915 encontramos uma mulher de meia-idade interpretada pela fantástica Juliette Binoche, já internada em um hospital psiquiátrico. Para quem não conhece a história de Camille, ela foi uma famosa escultora francesa, pupila e amante do também escultor Rodin. Vendo que Rodin não se casaria com ela, Camille decide desvincular seu trabalho e seu envolvimento do mestre e do homem que amava para seguir sua própria carreira.
No entanto, o rompimento com Rodin e a morte de seu pai que era o único familiar que apoiava seu talento, culminou na perda gradativa de sua sanidade, até que por fim seu irmão Paul Claudel decide interná-la em um sanatório. 
Caso tenha interesse em assistir e ler o comentário sobre o primeiro filme, segue o link: Camille Claudel: entre a genialidade e a loucura.
Gostaria de destacar aqui, que não cabe comparações nas atuações de Isabelle Adjani e Juliette Binoche tendo em vista que são duas atrizes francesas muito talentosas e que cada uma interpretou brilhantemente Camille Claudel nos dois momentos mais difíceis da sua vida.
Também não cabe aqui comparar as duas obras já que o filme de 1988 retrata a juventude da escultora seu ápice e seu declínio, já no filme Bruno Dumont o roteiro foi baseado nas correspondências que Camille trocou com seu irmão Paul e no seu lado médico.
Camille Claudel, 1915 foi rodado em um hospital psiquiátrico de verdade com doentes mentais de verdade. A sensibilidade do cineasta e de Juliette Binoche para lidar com o elenco de apoio é algo surpreendente! Às vezes sentimos que Binoche parece indiferente aos internos, mas não podemos nos esquecer de que ela é Camille e que aquele mundo não é para ela.
As horas parecem não passar para aquela mulher que sente-se oprimida, ela olha para o céu, a câmera focaliza a expressão de deslocamento de Juliette Binoche. Não é preciso dizer nada, entendemos o que ela sente.
O que dizer sobre seus momentos de angústia e esperança? Como não se emocionar? Os jardins do hospital parecem áridos e nada tem a ver com a arte daquela mulher que não conseguia mais esculpir, que foi exilada pela família, rejeitada pelo único homem que amou.
Rodar o filme em um hospital psiquiátrico e ter como elenco de apoio doentes mentais, não é caridade. Isso é tentar ser o mais realista possível para realizar um filme que pode ser considerado histórico sobre uma grande personagem! Se você não conhece Camille Claudel, assista as duas obras e aprecie a vida e arte desta mulher que merece todo nosso respeito e admiração.

A falta de amor pode enlouquecer.

Cotação: 5 estrelas

Link para assistir online: Camille Claudel, 1915

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Camille Claudel: entre a genialidade e a loucura.


Filme francês de 1988 dirigido por Bruno Nuytten (A vida de Albert), conta a história da escultora Camille Claudel (Isabelle Adjani), que em 1885 entra em conflito com sua família ao se tornar assistente e amante do já renomado escultor Auguste Rodin (Gérard Depardie) . Decidida a trabalhar por conta própria, Camille rompe com Rodin e cai em um abismo de solidão e paranoia.
Esta é uma obra para quem quer conhecer um pouco mais sobre esta grande artista Camille Claudel. Filha mais velha de uma família pequeno-burguesa, seu pai sempre apoiou seu talento e a matriculou nas melhores escolas de belas artes de Paris. O irmão mais novo Paul Claudel queria ser escritor, no entanto, o pai apostava no talento da jovem e impulsiva Camille, para desgosto da mãe que não acreditava e nem entendia o talento da filha.
Isabelle Adjani esteve fantástica no papel de Camille. Não foi por menos que ela ganhou o César (o Oscar francês por sua atuação). Creio que posso dizer o mesmo de Gérard Depardie, que fez um Rodin cheio de mulheres, mas que encontrou sua inspiração perdida em Camille.
Camille Claudel enfrentou a sociedade para fazer arte e para viver o amor. Teve a oportunidade de trabalhar como assistente de Rodin em uma exposição em Paris, no entanto, achou que já era hora de ter vida própria. Rompeu definitivamente com Rodin, alugou um apartamento, e começou a esculpir por conta própria. Graças a amigos influentes ela pode expor seu trabalho com sucesso de crítica, porém, sua genialidade já estava consumida pela loucura.


A verdadeira Camille Claudel

Camille fica paranoica e começa a acreditar que Rodin roubaria todas as suas peças e expô-las em seu nome. Ela acreditava em um complô, e com a morte do pai, Camille se isola definitivamente do mundo, sendo internada em 1915 pelo irmão. Camille Claudel ficou 30 anos em um sanatório, morrendo antes de completar 79 anos.
O filme me emocionou muitíssimo porque sempre ouvia falar de Camille Claudel, mas não imaginava que sua história fosse tão sofrida. E mais! Que sua história e sua obra se interligassem com a de Rodin.
Sem dúvidas foi uma mulher notável e o diretor teve muita sensibilidade em transmitir isso através da excelente Isabelle Adjani. Certamente é uma história que nos permite perguntar: existe alguma relação entre a criatividade e a loucura?
Não sou nenhuma especialista em esculturas, pinturas, mas creio que a obra de Camille Claudel deveria ser totalmente desvinculada da obra de Rodin, visto que seu período mais produtivo foi durante o rompimento com o escultor, período em que estava em profunda depressão, mas também um período de grande amadurecimento profissional.


Camille esculpindo.

Destaque para maquiagem, figurino, trilha sonora e fotografia que formaram um espetáculo à parte.

Cotação: 5 estrelas





Uma de suas estátuas denominada: Abandono

Cotação: 5 estrelas

Link para assistir online: Camille Claudel