terça-feira, 7 de maio de 2013

Pink Flamingos: O grotesco para cutucar a ferida?



Pink Flamingos é um filme que poucos conhecem. Ele foi lançado em 1972 pelo diretor John Waters no circuito underground. Um filme feito com baixíssimo orçamento que conta a história da Drag Queen Divine conhecida como a pessoa mais asquerosa do mundo. Ela mora em um trailler com seu filho, uma companheira de viagem e a mãe deficiente.
Divine e sua família entram em uma competição insana com outro casal para serem as pessoas mais asquerosas do mundo. Dentre as cenas bizarras esta a mais famosa de todas, Divine comendo fezes de cachorro, cena de incesto, sexo com uma galinha no meio e o nu frontal de um ator incluindo o close do ânus dele.
O filme causa repulsa até hoje. E por incrível que pareça tornou-se um cult, pois os jovens da época consideraram que ele estava tocando na ferida dos Estados Unidos. Seria um meio de criticar o sonho americano, a fama, e até mesmo a política.
Bem, não posso dizer que meu estômago ficou tranquilo enquanto eu assistia Pink Flamingos. De fato é um filme bizarro e grotesco. Mas alguns questionamentos me passaram pela mente enquanto eu o via, porque em algumas cenas, tive a impressão que não era bem questionar a sociedade o que John Waters queria, parecia que ele estava brincando de fazer cinema. Algo do tipo: "nós temos algum dinheiro, temos uma câmera, vamos pegar alguns desconhecidos, filmá-los e ver o que sai", tanto é que depois que o filme acaba tem uma entrevista com o diretor e ele diz claramente que muitas cenas ele não entendeu a razão.
Sei que posso ser apedrejada por escrever isso, porque sei que muitas pessoas cultuam esse tipo de filme, mas eu não posso deixar de perguntar se é realmente preciso realizar uma obra desse nível para questionar os valores de uma sociedade. Qual é a interpretação que eu posso fazer quando vejo uma mulher sentada na calçada comendo bosta de cachorro? Diretores isso é mesmo necessário?


Paralelamente, enquanto assistia Pink Flamingos me veio à mente Beleza Americana de Sam Mendes, que é um filme belíssimo, coloca em xeque o sonho americano, mas sem ser apelativo, pelo contrário, é bonito de se ver, é bonito de se ouvir, é bonito de sentir. A isto sim eu considero arte, que me perdoem os fãs de Pink Flamingos, mas devo lembrar que arte é algo totalmente subjetivo, e para mim, Pink Flamingos é um filme totalmente desnecessário. Não só pelas cenas de mau gosto, mas pela pobreza de roteiro, pela trilha sonora abominável.
Pink Flamingos é uma lição magistral do puro mau gosto. Eu não consegui ver nenhum propósito político, ao contrário de Saló 120 dias de Sodoma do italiano Pasolini que é igualmente polêmico, mas este sim tem questões políticas e você sabe que cada cena colocada ali foi necessária.
Não sou contra o choque. Sou contra o desnecessário, a perda de tempo. E Pink Flamingos é somente isso: uma total perda de tempo.

Link para assistir online: Pink Flamingos

Cotação: 1 estrela

10 comentários:

  1. Eu confesso que por muito tempo eu tive um medo medonho desse filme.

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  2. E o que achou? Você assistiu Saló? Recomendo, viu?

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    1. onde consigo ver esse filme Pink Flamingos?

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  3. onde consigo esse filme

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    1. Olá! Coloquei o link para que você possa assistir online. Bom filme e volte para comentar!
      Abraços!

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  4. Assisti esse filme á alguns anos e realmente não acrescentou nada. Mas na época eu o achei divertido. Hoje tive intenção de revê lo mas não animei... Gosto muito do seu blog!

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    1. Obrigada pelo comentário e por concordar com a crítica! Creio que você é a primeira pessoa que concorda comigo, rss. Já fui quase apedrejada por considera-lo desnecessário, afinal, ele é bastante cultuado.
      Obrigada pela visita!
      Abraços!

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  5. Simplesmente amei o filme. Talvez o filme seja inútil, mas não é desnecessário. A arte é inútil. Nós tentamos, é verdade, dar uma utilidade para os objetos artísticos e às vezes é um tanto frustrante quando não conseguimos fazer isso. Pink Flamingos, não obstante o fato de ser inútil, é genial em sua apresentação do grotesco como virtude, do bizarro como desejável e do tosco como estética. Seria possível escrever um tratado sobre como seus defeitos se tornam qualidades pelo fato simples de que eles não são mascarados, mas aceitos e abraçados pelo diretor, integrados ao filme, criando uma estética própria. Mais o que questionamentos políticos (que seriam aplicáveis, diga-se de passagem), Pink Flamingos nos leva a questionamentos sobre o próprio fazer cinematográfico, sobre a estética e sobre o papel da obra de arte na sociedade. Não, não posso concordar que seja um filme desnecessário. Inútil, mas absolutamente indispensável.

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    1. Leandro Dias primeiramente quero agradecer sua visita ao meu blog e seu comentário. Respeito sua opinião, como eu disse o filme tornou-se cultuado e eu sabia exatamente o preço que estava pagando quando escrevi esta crítica.
      O que não entendi é como você pode dizer que "a arte é inútil". Uau! Estou sem palavras! Só posso agradecer por não conhecê-lo pessoalmente.
      Ser grotesco pelo simples fato de ser grotesco não é ser indispensável. Assista Saló ou os 120 Dias de Sodoma que é igualmente polêmico e depois discutiremos com prazer os questionamentos políticos existentes nas duas obras.

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  6. Ola ola Lidiana, ainda recomendo o "um filme sérvio" lá há reações de raiva, ira, e a violência que faltou nas vitimas do 120 dias...
    Kkk um abraço

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